App feito com IA: como publicar um app na Play Store

O passo a passo da Play Store e da App Store, com taxa, teste fechado e revisão. Antes dele, uma pergunta que os tutoriais pulam: o app que você fez com IA ainda é um site.

Alexandre LeiteAlexandre LeiteFundador do ColaboratórioPublicado em 6 min de leitura
Fundador leva o app web num carrinho até o balcão de uma loja de apps, onde a atendente confere uma lista na prancheta

Em 30 segundos

  1. 1Publicar um app na Play Store é criar a conta no Google Play Console, preencher a ficha e a segurança dos dados, passar pelo teste fechado quando a conta é pessoal e nova e enviar para revisão. Se o app foi feito com IA no Lovable ou no Base44, ele roda no navegador e precisa virar PWA ou ser empacotado.

Segunda-feira cedo, o app já tem login, tela de pedidos e três clientes usando pelo link. Você montou tudo no Lovable em poucas semanas, entre uma reunião e outra. Aí chega a mensagem de um cliente no WhatsApp: "Qual o nome do app na loja? Não achei."

É dessa mensagem que nasce a busca por como publicar app na Play Store. O passo a passo existe, é público e é mais burocrático do que difícil. Neste guia eu mostro as etapas da Play Store e da App Store com as regras oficiais de hoje. Antes do primeiro passo, porém, tem uma pergunta que os tutoriais pulam: o app que você fez com inteligência artificial é, por baixo, um site. Isso muda o caminho, e a terceira parte deste texto trata disso.

Como publicar um app na Play Store

Tudo acontece no Google Play Console, o painel do Google para quem publica. As regras abaixo estão na Ajuda do Play Console, que li em novembro de 2026:

  1. Crie a conta de desenvolvedor. Ela pode ser pessoal ou de organização. A taxa de inscrição é única, de US$ 25, e o Google pede a confirmação de identidade antes de liberar a conta.
  2. Crie o app e preencha a ficha da loja. Nome, descrição curta e completa, ícone, capturas de tela, categoria e contato.
  3. Responda à Segurança dos dados e indique a política de privacidade. Até app que não coleta nada precisa preencher o formulário e informar o link da política.
  4. Gere o pacote Android do app e suba no console. É o arquivo que vai para os testes e, depois, para a produção.
  5. Rode o teste fechado, se a conta for pessoal e nova. Contas pessoais criadas depois de 13 de novembro de 2023 precisam de no mínimo 12 testadores inscritos por 14 dias consecutivos antes de pedir acesso à produção. Se alguém sai do teste, a contagem recomeça.
  6. Peça a produção e envie para revisão. A análise pode levar até sete dias, ou mais em casos excepcionais.

Os detalhes estão nas páginas de Segurança dos dados, dos requisitos de teste e da revisão do app. Para quem procura como colocar app na Play Store de graça: não tem jeito, a taxa é obrigatória. Ela é pequena, e o que pesa é o teste fechado. Juntar doze pessoas de verdade usando o app por duas semanas é a etapa mais longa para quem vai publicar app na Play Store pela primeira vez.

Pessoas num banco de praça testam o mesmo app no celular, ao lado de um calendário com os dias riscados
Duas semanas de teste com gente de verdade

Como publicar um app na App Store

Na Apple o caminho é parecido, com outras regras e outro preço. A inscrição na Apple, que consultei em novembro de 2026, e as regras de revisão definem as etapas:

  1. Entre no Apple Developer Program. A anuidade é de US$ 99. Empresa precisa ainda de um número D-U-N-S, que identifica a pessoa jurídica.
  2. Cadastre o app no App Store Connect, o painel da Apple, com ficha, capturas e o link da política de privacidade. A Apple exige esse link no cadastro e também dentro do app.
  3. Distribua uma versão de teste pelo TestFlight para quem vai usar primeiro. A Apple não obriga, mas é ali que aparece o que quebra.
  4. Envie para a revisão. Segundo a página de revisão da Apple, consultada em 2026, pelo menos metade dos envios sai em menos de 24 horas e 90% em menos de 48 horas.

Uma regra pesa mais para quem fez o app com IA. A diretriz 4.2 da Apple diz que o app precisa de recursos, conteúdo e interface que o levem além de um site reempacotado. Site embrulhado em app, sem nada que só faça sentido no celular, corre o risco de voltar recusado.

App feito com IA na loja: PWA, empacotar ou nativo

O Lovable, o Base44 e as outras ferramentas que montam app pela conversa entregam um app web. Ele roda no navegador, no computador e no celular, e pode ir para produção e continuar evoluindo na própria ferramenta. Detalhei isso em o que é Lovable e o que é Base44, e o guia de criar app com IA cobre a construção. Para chegar ao celular como app, há três caminhos:

  • PWA. O que é PWA: na definição do MDN, uma progressive web app é um app feito com tecnologia web que pode ser instalado no aparelho e aparecer como qualquer outro aplicativo. O cliente abre o link e adiciona o ícone à tela inicial, sem loja e sem revisão. Para app interno ou de cliente empresa, pode bastar.
  • Empacotar o app web. Para a Play Store, a documentação do Android mostra como pôr um PWA dentro de um app com o Bubblewrap e Trusted Web Activity, e o arquivo gerado pode ir para a loja. Para as duas lojas, o Capacitor entra num projeto web que já existe e gera o app de Android e o de iOS. É o jeito mais comum de levar um site para a loja como app.
  • Fazer nativo. Um aplicativo nativo é escrito para o celular desde o começo. Faz sentido quando o app depende de câmera, notificação, uso sem internet ou de passar com folga na regra da Apple.

A IA ajuda na parte chata da publicação, desde que você confira cada resposta contra o app de verdade:

  • Política de privacidade. Liste o que o app guarda e peça ao ChatGPT, ao Claude ou ao Gemini um rascunho a partir dessa lista, nunca do zero.
  • Empacotamento. Um agente de código como o Claude Code monta o projeto Capacitor seguindo a documentação oficial, um passo por vez.
  • Ficha da loja. Peça descrição curta, descrição completa e respostas da Segurança dos dados, e confira cada item com o que o app faz.
Uma casinha de papel em forma de site diante de três caminhos: ícone no celular, caixa de presente e casa de tijolos
Três caminhos até o celular

O que a loja pede e continua sendo decisão sua

A ferramenta de IA monta a tela de login e o banco de dados. A loja faz perguntas que só quem responde pelo negócio sabe responder:

  • Que dado o app guarda, e para quê. Se a política diz uma coisa e o app guarda CPF, endereço ou foto, quem responde pela diferença é você. No Lovable, vale entender onde Lovable e Supabase guardam esses dados.
  • Como a pessoa apaga a conta. Google e Apple exigem exclusão de conta dentro do app quando ele permite criar conta, e a regra de exclusão do Google pede também um link na web. Se ninguém pediu essa tela, ela não existe.
  • Quem testa. Os testadores do teste fechado precisam ser gente que vai usar o app. É a chance de ouvir quem usa antes da nota pública na loja.
  • Em nome de quem a conta fica. Pessoal ou de organização, no Google e na Apple. Conta de empresa pede documento da empresa, e mudar depois dá trabalho.
  • Quem cuida das atualizações. Cada versão nova do pacote passa pela revisão de novo. Alguém precisa decidir o que muda só no site e o que exige um pacote novo, e cuidar dessa fila.

Se o app vai cobrar assinatura, entra mais uma camada de regra, que expliquei em como criar um SaaS.

Robô segura um formulário em branco enquanto a fundadora, com uma lupa, decide o que escrever sobre os dados do app
A política descreve o app de verdade

Um produto meu e a pergunta que vem antes da loja

Um produto meu foi do zero à produção com clientes reais em três dias, e todos os clientes usam esse produto de forma indireta. Conto isso como nota de rodapé, porque a pergunta que valeu para ele vale para o seu app: como o cliente vai usar o produto no dia a dia? Quem usa de forma indireta talvez nunca procure o app na loja.

Publicar é a parte curta. O que trava é decidir entre PWA, empacotar o app web ou fazer nativo, e manter login, dado e atualização depois que a loja aprova. É nessa decisão que eu entro, junto com a construção, no Colaboratório. Montei uma página sobre o que fazer com um app feito com IA que já funciona e precisa ir além do link.

Se o seu cliente já perguntou o nome do app na loja, como na segunda-feira do começo deste texto, entre em contato e me conte onde o seu app roda hoje.

Perguntas frequentes

Quanto custa para publicar um aplicativo no Google Play?
A conta de desenvolvedor do Google Play tem uma taxa única de US$ 25, paga na inscrição. Na Apple, o Apple Developer Program custa US$ 99 por ano. As duas taxas são da conta de desenvolvedor, não de cada app.
Tem como colocar um app na Play Store de graça?
Não, a conta de desenvolvedor do Google tem a taxa única de US$ 25. Se o objetivo é só pôr o ícone no celular do cliente, um PWA faz isso sem loja e sem taxa: a pessoa abre o link e adiciona o app à tela inicial.
Quanto tempo demora para publicar um app na Play Store?
Com conta pessoal criada depois de novembro de 2023, conte pelo menos 14 dias de teste fechado com 12 testadores antes de pedir a produção. Depois disso, a revisão do Google pode levar até sete dias. A regra do teste vale para conta pessoal; conta de organização passa pela verificação da empresa.
Qual o valor para publicar um app na App Store?
O Apple Developer Program custa US$ 99 por ano, cobrado em moeda local onde houver. Se a inscrição for de uma empresa, a Apple pede também o número D-U-N-S, que identifica a pessoa jurídica.
O que preciso para postar um app na Play Store?
Você precisa de uma conta no Google Play Console com a identidade confirmada e do pacote Android do app. Na ficha da loja entram o formulário de Segurança dos dados e o link da política de privacidade. Se a conta for pessoal e nova, entra também o teste fechado.
Dá para publicar na Play Store um app feito com IA no Lovable ou no Base44?
Dá, com um passo a mais. Esses apps rodam no navegador, então precisam virar PWA e ser empacotados com o Bubblewrap, ou entrar num projeto Capacitor, que gera o app de Android e o de iOS. Na App Store, o app ainda precisa ir além de um site reempacotado.
Alexandre Leite
Quem escreveu
Alexandre Leite

Mais de 15 anos em produto digital. Primeiro PM da Nibo, depois PM e GPM no eBay, na Farfetch e na Kaizen Gaming (Betano). Fundou o Colaboratório, estúdio de produto que usa IA e métodos enxutos pra desafogar a operação de pequenas e médias empresas.

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