Google Antigravity: o que é e como criar app com IA
O agente do Google escreve, testa e mostra o app rodando a partir do que você pede. Decidir quem usa, que dado não pode sumir e quem mantém continua sendo trabalho seu.

Em 30 segundos
- 1O Google Antigravity é a plataforma do Google em que agentes de IA escrevem, testam e rodam o código de um app a partir de pedidos em português. Tem app de mesa, editor e terminal, e começa de graça com uma conta Google. Vai longe com quem não programa, desde que alguém decida antes quem usa e quem mantém.
Na reunião de segunda, o seu sócio vira o notebook pra você: "o Google lançou uma ferramenta que faz app sozinha, e é de graça". Na tela, o Google Antigravity monta um sistema de pedidos enquanto vocês dois olham. É o sistema que a empresa ainda controla numa planilha.
No fim do dia, você baixa também. Dá de cara com a palavra IDE, um terminal no rodapé e um agente pedindo permissão pra rodar um comando que você não entende.
Antes de desistir ou de sair pedindo, vale entender o que a ferramenta é, como usar sem ser programador, quanto custa e o que ela não decide por você.
O que é o Google Antigravity
O Google Antigravity é a plataforma do Google em que agentes de IA escrevem, testam e rodam o código de um software a partir do que você pede. É uma ferramenta de inteligência artificial pra construir software, e não um chat: quem procura "Antigravity IA" esperando algo parecido com o Gemini encontra um ambiente de programação, com o Gemini trabalhando dentro.
O Google apresentou a ferramenta em 18 de novembro de 2025, junto com o Gemini 3, no anúncio do lançamento. O nome técnico é IDE agêntico. IDE é o programa onde programador escreve código, com as pastas do projeto, o editor e o terminal na mesma janela. Agêntico quer dizer que o trabalho pesado ali dentro é do agente: ele lê o projeto, edita vários arquivos, roda comandos e confere o resultado.
Em maio de 2026, a versão 2.0 do Antigravity separou a ferramenta em partes. Tem o app de mesa, onde você conversa com um ou vários agentes ao mesmo tempo, e o Antigravity IDE, o editor completo, que é derivado do VS Code. Tem ainda uma versão de terminal, pra quem programa. Pra quem não programa, a porta de entrada é o app.
A dúvida Antigravity vs Cursor fica mais simples assim: os dois são editores com IA, e o Antigravity coloca o agente no centro. Ele fica na mesma família do Claude Code, da Anthropic.
Pra quem já usou o Lovable, a diferença é onde o app mora. O Lovable e o Replit entregam a plataforma inteira, com banco de dados, login e hospedagem no mesmo lugar. O Antigravity trabalha numa pasta do seu computador, e o código é seu desde o primeiro arquivo. Onde o app vai ficar no ar, você escolhe. É o mesmo jeito de construir que ganhou o nome de vibe coding, com mais acesso ao que está por baixo.
Como usar o Antigravity para criar um app com IA
O guia de primeiros passos do próprio Google cobre a instalação. Pra quem não programa, o caminho fica assim:
- Baixe o app no site oficial e entre com a conta Google. Ele roda no Mac, no Windows e no Linux, e pede o Chrome instalado. A conta pessoal do Gmail já basta pra começar.
- Crie um projeto. No Antigravity, projeto é a pasta que o agente pode ler e alterar. Uma pasta vazia pra começar do zero, ou o código do app que já existe.
- Escolha o quanto ele pede licença. Na Predefinição de segurança, você decide se cada comando no terminal precisa da sua aprovação. No começo, deixe tudo pedindo: é por aí que você aprende o que o agente faz.
- Comece pelo /plan. O comando faz o agente escrever um plano de implementação antes de mexer em qualquer arquivo. É a hora de corrigir o rumo, quando corrigir ainda é barato.
- Leia os artefatos. São os arquivos que o agente produz pra mostrar o trabalho: lista de tarefas, plano, diferenças no código, capturas de tela e o passo a passo do que foi feito. O Google diz que eles existem pra você validar o trabalho com mais facilidade do que lendo comando por comando.
- Veja o app funcionando. Com o /browser, o agente abre o app no Chrome, clica, preenche e confere se a tela faz o que você pediu.

Quem pergunta como usar o Antigravity sem saber programar costuma pular o plano e ir direto pro pedido. Dá certo nos primeiros dias. Depois que um pedido funciona, dá pra guardar o jeito de fazer como skill, um pacote de instruções que o agente carrega quando precisa, e repetir sem reescrever.
Google Antigravity é gratuito: planos e limites
Pra começar, sim. Na página de planos do Antigravity, que consultei em 1º de novembro de 2026, os planos eram estes:
- Pessoa física: sem custo e sem assinatura, com acesso a mais de um modelo e um limite semanal básico de uso.
- Google AI Pro e Google AI Ultra: as assinaturas de IA do Google. Sobem o limite e somam um saldo de créditos.
- Empresa: pelo Google Cloud, a partir de US$ 30 por pessoa por mês, ou só pelo consumo, com teto de gasto e painel de administração.
O limite pesa quando o app cresce, porque cada pedido grande consome uma parte da cota da semana. Quem esbarra no teto espera a renovação ou sobe de plano.
Onde o app feito no Antigravity trava
A ferramenta vai muito além da tela pronta. Ela monta login, banco de dados, pagamento e testes, e o app pode ir pra produção com ela. O que segura o app é outra coisa: o agente constrói o que foi pedido, e o que ninguém escreveu ele preenche com um palpite razoável, que pode não ser o do seu negócio.
O anúncio do lançamento diz que o agente foi feito pra pensar em como verificar o próprio trabalho, não só em fazer. Verificar contra o quê, quem decide é você.
Pra quem não programa, isso aparece assim:
- Só no meu computador. O app roda na sua máquina. Pra abrir pro cliente, alguém decide onde ele fica no ar, quanto isso custa e quem recebe o aviso quando ele cair.
- Quem vê o quê. O login sai em minutos. Que o cliente veja só os pedidos dele é regra do seu negócio.
- Dado que não pode sumir. Backup, histórico de quem mudou o quê e o que fazer quando um pedido entra errado.
- Quem mantém. O app muda quando a operação muda. Alguém precisa saber pedir a próxima mudança sem desmontar a anterior.

O que o agente não decide continua sendo decisão sua
Ficou muito mais fácil construir. Decidir o que construir continua sendo trabalho, e no Antigravity esse trabalho tem lugar: o plano que o /plan escreve e as regras que ficam guardadas no projeto.
O primeiro passo do protocolo antivibe é mapear o terreno: antes de abrir qualquer ferramenta, saber o que acontece hoje. No sistema de pedidos da reunião de segunda, isso vira quatro respostas escritas antes do próximo pedido.
- Quem usa e o que cada um enxerga. Cliente, vendedor, financeiro, e o que cada perfil lê e altera.
- O que não pode quebrar. O pedido que não pode sumir e a conta que não pode sair errada.
- Onde o app roda e quem cuida dele. A hospedagem, o domínio e a pessoa que recebe o alerta.
- Como você confere que ficou pronto. Um teste que você mesmo faz, como entrar com um cliente de teste e ver só os pedidos dele.

Com isso escrito, o pedido muda. Em vez de "conserta o login", você pede um plano, confere o plano contra as quatro respostas e só depois libera a edição. Essas respostas não saem de nenhum prompt: estão com quem toca a operação.
A ferramenta nova não escreve a regra do negócio
Toda semana aparece um construtor novo, e cada um dá mais acesso, mais modelo e mais agente trabalhando junto. As decisões que faltavam no anterior continuam faltando no próximo.
Um projeto do estúdio foi do zero à produção em poucos dias, com clientes reais usando, ainda que de forma indireta.
Nos apps feitos com IA que chegam até mim, o que trava quase sempre é uma regra que ninguém escreveu antes do pedido.
Volto à reunião de segunda. O vídeo do sócio mostra o primeiro dia do sistema de pedidos, e o Antigravity leva quem não programa bem além dele. Só vale abrir a primeira conversa com o agente com as quatro respostas escritas.
Se o app sai do Antigravity rodando no seu computador e trava quando entra gente de verdade, o que falta é decidir login, regra de negócio, dado que não pode sumir e quem mantém, antes do próximo pedido ao agente. Montei uma página sobre o que fazer com um app feito com IA nesse ponto. E se quiser ajuda pra destravar, entre em contato e me conte onde ele parou.
Perguntas frequentes
- Qual a função do Google Antigravity?
- O Antigravity serve para construir e manter software pedindo a agentes de IA. Eles planejam, escrevem o código, rodam comandos e abrem o app no navegador para testar. Você acompanha pelos artefatos, como a lista de tarefas e as capturas de tela, e aprova o que vai acontecer.
- O Google Antigravity é gratuito?
- Para começar, sim. Pessoa física usa sem assinatura, com uma conta Google e um limite semanal básico de uso. Quem esbarra no limite sobe para os planos Google AI Pro ou Ultra, e empresa contrata pelo Google Cloud, com cobrança por pessoa ou por consumo.
- Qual o concorrente do Antigravity?
- Os mais parecidos são o Claude Code, da Anthropic, o Codex, da OpenAI, e o Cursor, que também trabalham em cima do código do projeto. Para quem não quer ver código nenhum, o Lovable e o Replit fazem outro papel: montam e hospedam o app no mesmo lugar.
- Qual IA usar no Antigravity?
- O padrão é o Gemini, o modelo do Google, e a lista muda a cada versão. Desde o lançamento, o mesmo agente também roda modelos de outras empresas, como o Claude. Para quem não programa, um plano bem escrito rende mais do que trocar de modelo.
- Qual é melhor, Claude ou Antigravity?
- Os dois fazem o mesmo trabalho de jeitos parecidos, e a escolha costuma vir da conta que você já tem. Quem está no Google começa no Antigravity sem pagar nada. Quem já assina o Claude encontra o Claude Code incluído. Nos dois, o que segura o app é a regra que ninguém escreveu.

Mais de 15 anos em produto digital. Primeiro PM da Nibo, depois PM e GPM no eBay, na Farfetch e na Kaizen Gaming (Betano). Fundou o Colaboratório, estúdio de produto que usa IA e métodos enxutos pra desafogar a operação de pequenas e médias empresas.
LinkedIn