Google Antigravity: o que é e como criar app com IA

O agente do Google escreve, testa e mostra o app rodando a partir do que você pede. Decidir quem usa, que dado não pode sumir e quem mantém continua sendo trabalho seu.

Alexandre LeiteAlexandre LeiteFundador do ColaboratórioPublicado em 7 min de leitura
Robô flutua montando uma casa feita de telas de app enquanto dois sócios olham de baixo com uma prancheta em branco

Em 30 segundos

  1. 1O Google Antigravity é a plataforma do Google em que agentes de IA escrevem, testam e rodam o código de um app a partir de pedidos em português. Tem app de mesa, editor e terminal, e começa de graça com uma conta Google. Vai longe com quem não programa, desde que alguém decida antes quem usa e quem mantém.

Na reunião de segunda, o seu sócio vira o notebook pra você: "o Google lançou uma ferramenta que faz app sozinha, e é de graça". Na tela, o Google Antigravity monta um sistema de pedidos enquanto vocês dois olham. É o sistema que a empresa ainda controla numa planilha.

No fim do dia, você baixa também. Dá de cara com a palavra IDE, um terminal no rodapé e um agente pedindo permissão pra rodar um comando que você não entende.

Antes de desistir ou de sair pedindo, vale entender o que a ferramenta é, como usar sem ser programador, quanto custa e o que ela não decide por você.

O que é o Google Antigravity

O Google Antigravity é a plataforma do Google em que agentes de IA escrevem, testam e rodam o código de um software a partir do que você pede. É uma ferramenta de inteligência artificial pra construir software, e não um chat: quem procura "Antigravity IA" esperando algo parecido com o Gemini encontra um ambiente de programação, com o Gemini trabalhando dentro.

O Google apresentou a ferramenta em 18 de novembro de 2025, junto com o Gemini 3, no anúncio do lançamento. O nome técnico é IDE agêntico. IDE é o programa onde programador escreve código, com as pastas do projeto, o editor e o terminal na mesma janela. Agêntico quer dizer que o trabalho pesado ali dentro é do agente: ele lê o projeto, edita vários arquivos, roda comandos e confere o resultado.

Em maio de 2026, a versão 2.0 do Antigravity separou a ferramenta em partes. Tem o app de mesa, onde você conversa com um ou vários agentes ao mesmo tempo, e o Antigravity IDE, o editor completo, que é derivado do VS Code. Tem ainda uma versão de terminal, pra quem programa. Pra quem não programa, a porta de entrada é o app.

A dúvida Antigravity vs Cursor fica mais simples assim: os dois são editores com IA, e o Antigravity coloca o agente no centro. Ele fica na mesma família do Claude Code, da Anthropic.

Pra quem já usou o Lovable, a diferença é onde o app mora. O Lovable e o Replit entregam a plataforma inteira, com banco de dados, login e hospedagem no mesmo lugar. O Antigravity trabalha numa pasta do seu computador, e o código é seu desde o primeiro arquivo. Onde o app vai ficar no ar, você escolhe. É o mesmo jeito de construir que ganhou o nome de vibe coding, com mais acesso ao que está por baixo.

Como usar o Antigravity para criar um app com IA

O guia de primeiros passos do próprio Google cobre a instalação. Pra quem não programa, o caminho fica assim:

  • Baixe o app no site oficial e entre com a conta Google. Ele roda no Mac, no Windows e no Linux, e pede o Chrome instalado. A conta pessoal do Gmail já basta pra começar.
  • Crie um projeto. No Antigravity, projeto é a pasta que o agente pode ler e alterar. Uma pasta vazia pra começar do zero, ou o código do app que já existe.
  • Escolha o quanto ele pede licença. Na Predefinição de segurança, você decide se cada comando no terminal precisa da sua aprovação. No começo, deixe tudo pedindo: é por aí que você aprende o que o agente faz.
  • Comece pelo /plan. O comando faz o agente escrever um plano de implementação antes de mexer em qualquer arquivo. É a hora de corrigir o rumo, quando corrigir ainda é barato.
  • Leia os artefatos. São os arquivos que o agente produz pra mostrar o trabalho: lista de tarefas, plano, diferenças no código, capturas de tela e o passo a passo do que foi feito. O Google diz que eles existem pra você validar o trabalho com mais facilidade do que lendo comando por comando.
  • Veja o app funcionando. Com o /browser, o agente abre o app no Chrome, clica, preenche e confere se a tela faz o que você pediu.
Pessoa diante do notebook ergue a mão pedindo calma enquanto um robô espera com uma lista de tarefas antes de começar

Quem pergunta como usar o Antigravity sem saber programar costuma pular o plano e ir direto pro pedido. Dá certo nos primeiros dias. Depois que um pedido funciona, dá pra guardar o jeito de fazer como skill, um pacote de instruções que o agente carrega quando precisa, e repetir sem reescrever.

Google Antigravity é gratuito: planos e limites

Pra começar, sim. Na página de planos do Antigravity, que consultei em 1º de novembro de 2026, os planos eram estes:

  • Pessoa física: sem custo e sem assinatura, com acesso a mais de um modelo e um limite semanal básico de uso.
  • Google AI Pro e Google AI Ultra: as assinaturas de IA do Google. Sobem o limite e somam um saldo de créditos.
  • Empresa: pelo Google Cloud, a partir de US$ 30 por pessoa por mês, ou só pelo consumo, com teto de gasto e painel de administração.

O limite pesa quando o app cresce, porque cada pedido grande consome uma parte da cota da semana. Quem esbarra no teto espera a renovação ou sobe de plano.

Onde o app feito no Antigravity trava

A ferramenta vai muito além da tela pronta. Ela monta login, banco de dados, pagamento e testes, e o app pode ir pra produção com ela. O que segura o app é outra coisa: o agente constrói o que foi pedido, e o que ninguém escreveu ele preenche com um palpite razoável, que pode não ser o do seu negócio.

O anúncio do lançamento diz que o agente foi feito pra pensar em como verificar o próprio trabalho, não só em fazer. Verificar contra o quê, quem decide é você.

Pra quem não programa, isso aparece assim:

  • Só no meu computador. O app roda na sua máquina. Pra abrir pro cliente, alguém decide onde ele fica no ar, quanto isso custa e quem recebe o aviso quando ele cair.
  • Quem vê o quê. O login sai em minutos. Que o cliente veja só os pedidos dele é regra do seu negócio.
  • Dado que não pode sumir. Backup, histórico de quem mudou o quê e o que fazer quando um pedido entra errado.
  • Quem mantém. O app muda quando a operação muda. Alguém precisa saber pedir a próxima mudança sem desmontar a anterior.
Casinha de telas de app dentro de uma redoma de vidro sobre a mesa enquanto clientes esperam do lado de fora na chuva
O app pronto ainda não recebeu ninguém

O que o agente não decide continua sendo decisão sua

Ficou muito mais fácil construir. Decidir o que construir continua sendo trabalho, e no Antigravity esse trabalho tem lugar: o plano que o /plan escreve e as regras que ficam guardadas no projeto.

O primeiro passo do protocolo antivibe é mapear o terreno: antes de abrir qualquer ferramenta, saber o que acontece hoje. No sistema de pedidos da reunião de segunda, isso vira quatro respostas escritas antes do próximo pedido.

  • Quem usa e o que cada um enxerga. Cliente, vendedor, financeiro, e o que cada perfil lê e altera.
  • O que não pode quebrar. O pedido que não pode sumir e a conta que não pode sair errada.
  • Onde o app roda e quem cuida dele. A hospedagem, o domínio e a pessoa que recebe o alerta.
  • Como você confere que ficou pronto. Um teste que você mesmo faz, como entrar com um cliente de teste e ver só os pedidos dele.
Dois sócios escrevem regras em fichas e entregam a um robô que estende uma bandeja vazia para recebê-las

Com isso escrito, o pedido muda. Em vez de "conserta o login", você pede um plano, confere o plano contra as quatro respostas e só depois libera a edição. Essas respostas não saem de nenhum prompt: estão com quem toca a operação.

A ferramenta nova não escreve a regra do negócio

Toda semana aparece um construtor novo, e cada um dá mais acesso, mais modelo e mais agente trabalhando junto. As decisões que faltavam no anterior continuam faltando no próximo.

Um projeto do estúdio foi do zero à produção em poucos dias, com clientes reais usando, ainda que de forma indireta.

Nos apps feitos com IA que chegam até mim, o que trava quase sempre é uma regra que ninguém escreveu antes do pedido.

Volto à reunião de segunda. O vídeo do sócio mostra o primeiro dia do sistema de pedidos, e o Antigravity leva quem não programa bem além dele. Só vale abrir a primeira conversa com o agente com as quatro respostas escritas.

Se o app sai do Antigravity rodando no seu computador e trava quando entra gente de verdade, o que falta é decidir login, regra de negócio, dado que não pode sumir e quem mantém, antes do próximo pedido ao agente. Montei uma página sobre o que fazer com um app feito com IA nesse ponto. E se quiser ajuda pra destravar, entre em contato e me conte onde ele parou.

Perguntas frequentes

Qual a função do Google Antigravity?
O Antigravity serve para construir e manter software pedindo a agentes de IA. Eles planejam, escrevem o código, rodam comandos e abrem o app no navegador para testar. Você acompanha pelos artefatos, como a lista de tarefas e as capturas de tela, e aprova o que vai acontecer.
O Google Antigravity é gratuito?
Para começar, sim. Pessoa física usa sem assinatura, com uma conta Google e um limite semanal básico de uso. Quem esbarra no limite sobe para os planos Google AI Pro ou Ultra, e empresa contrata pelo Google Cloud, com cobrança por pessoa ou por consumo.
Qual o concorrente do Antigravity?
Os mais parecidos são o Claude Code, da Anthropic, o Codex, da OpenAI, e o Cursor, que também trabalham em cima do código do projeto. Para quem não quer ver código nenhum, o Lovable e o Replit fazem outro papel: montam e hospedam o app no mesmo lugar.
Qual IA usar no Antigravity?
O padrão é o Gemini, o modelo do Google, e a lista muda a cada versão. Desde o lançamento, o mesmo agente também roda modelos de outras empresas, como o Claude. Para quem não programa, um plano bem escrito rende mais do que trocar de modelo.
Qual é melhor, Claude ou Antigravity?
Os dois fazem o mesmo trabalho de jeitos parecidos, e a escolha costuma vir da conta que você já tem. Quem está no Google começa no Antigravity sem pagar nada. Quem já assina o Claude encontra o Claude Code incluído. Nos dois, o que segura o app é a regra que ninguém escreveu.
Alexandre Leite
Quem escreveu
Alexandre Leite

Mais de 15 anos em produto digital. Primeiro PM da Nibo, depois PM e GPM no eBay, na Farfetch e na Kaizen Gaming (Betano). Fundou o Colaboratório, estúdio de produto que usa IA e métodos enxutos pra desafogar a operação de pequenas e médias empresas.

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