O que é PRD com IA: documento de requisitos do produto
A IA escreve um PRD em menos de um minuto. O problema comprovado, o que fica de fora e a medida de sucesso ela não tem de onde tirar: isso pede uma conversa com quem vive a operação antes do prompt.

Em 30 segundos
- 1PRD é o documento de requisitos do produto: o texto que diz o que vai ser construído, para quem, por que e como saber se deu certo. Com IA, ele virou também o roteiro que a ferramenta segue para montar o app. Por isso o problema que ele descreve precisa sair da sua operação antes do primeiro prompt.
Terça de manhã, antes da primeira reunião, você abre o ChatGPT e pede um PRD para o app de agendamento da sua clínica. Em menos de um minuto voltam seis páginas: personas, histórias de usuário, requisitos não funcionais, até cronograma. Tem cara de documento de empresa grande. Você cola tudo no Lovable e o app começa a aparecer na tela.
Só que nenhuma linha daquelas seis páginas saiu da sua recepção. A IA não sabe que o paciente remarca pelo WhatsApp, nem que a falta que mais pesa é a do retorno. Ela escreveu o PRD de uma clínica média, e essa clínica não existe.
Neste guia eu explico o que é PRD, o que vai dentro, como escrever um com IA e o que continua sendo decisão sua.
O que é PRD (ou product requirements document)
PRD é a sigla de product requirements document, o documento de requisitos do produto. É o texto que diz o que vai ser construído, para quem, por que e como saber se deu certo. Nasceu na gestão de produto como o combinado entre quem decide e quem constrói: o gerente de produto de um lado, design e engenharia do outro.
Com a inteligência artificial, o PRD ganhou um leitor novo, a ferramenta que monta o app. No vibe coding, ele vira o manual de instruções que o Lovable, o Claude Code ou o Cursor relê antes de mexer no código. Foi assim que muita gente que nunca trabalhou com produto descobriu que precisava de um PRD, e passou a pedir um à IA.
E se você chegou aqui atrás do partido, a sigla é a mesma e o assunto é outro.
O que vai dentro de um PRD
Um PRD enxuto cabe em uma ou duas páginas e responde ao seguinte:
- O problema e para quem. Quem sofre, o que a pessoa tenta fazer e o que atrapalha. Uma frase, com um caso que aconteceu.
- O que o produto faz. São os requisitos funcionais: as regras e os fluxos, como quem pode remarcar uma consulta e até quando.
- Como ele precisa se comportar. Os requisitos não funcionais: rapidez, segurança, quem vê qual dado do paciente.
- O que fica de fora. Tudo que é bom, mas fica para depois desta versão.
- Como saber se deu certo. O que precisa mudar na operação para você dizer que valeu.
Requisitos de produto são as frases do meio dessa lista. O trabalho de descobrir essas frases tem um nome antigo, levantamento de requisitos, e é a parte que nenhum PRD template faz por você. O modelo lembra quais seções existem. O preenchimento, com o que é verdade na sua empresa, fica com você.
O PRD que sai de um prompt descreve telas
Quem procura um PRD prompt encontra dezenas, e quase todos funcionam do mesmo jeito: você descreve a ideia em duas linhas e a IA preenche cada seção com o que é plausível. As telas e as funcionalidades saem bem, porque é disso que ela já leu muito. O problema, o que fica de fora e a medida de sucesso saem genéricos, porque isso mora na sua operação, e a IA não esteve lá.
O perigo é que o documento parece completo. Seis páginas organizadas passam a sensação de que a decisão foi tomada, quando o que existe é um palpite bem formatado. O app construído a partir dele é o primeiro ponto de um Promptenstein, o app costurado prompt a prompt. Cada prompt seguinte costura uma funcionalidade que o PRD nunca questionou, e a pergunta "isso resolve o quê?" fica pra quando o app já está pesado.
Até quem ensina a escrever PRD com Claude avisa, num guia da Tera de 2026, que o modelo não sabe a estratégia da sua empresa. A IA organiza muito bem o que você entrega a ela. O que você não entregou, ela inventa com cara de verdade.

Como escrever um PRD com IA no ChatGPT, no Claude ou no Gemini
A IA é uma ótima parceira para escrever um PRD, desde que a conversa vá na direção certa: ela pergunta, você responde com o que viu.
- Peça para a IA te entrevistar antes de escrever. A documentação do Claude Code sugere pedir que ele te entreviste até conseguir escrever a especificação, inclusive o que fica de fora. No ChatGPT e no Gemini funciona igual: "Me faça uma pergunta por vez sobre este app até ter material para o PRD. Não invente nada que eu não respondi."
- Leve a última vez real para a conversa. Antes de responder, junte o que aconteceu de verdade: o print da conversa com o paciente que remarcou, a planilha da recepção, o áudio da secretária explicando o encaixe. Requisito tirado de um caso concreto vale mais que "o usuário deseja agendar com facilidade".
- Guarde o PRD onde a ferramenta relê. No Lovable, nas instruções do projeto, o antigo conhecimento. No Claude Code, num arquivo na pasta do projeto, citado no CLAUDE.md. No ChatGPT ou no Claude, num projeto com o documento anexado. Quando uma regra mudar, atualize o PRD primeiro e peça o código depois.
Feito assim, o PRD com IA sai mais curto do que as seis páginas do começo, e cada linha dele aponta para alguém da sua operação.

O que continua sendo decisão sua
A IA ajuda a perguntar e a organizar. Três escolhas o PRD só registra, porque alguém precisa fazer antes:
- Qual problema, com prova. Um problema que você viu acontecer, com data e pessoa, vale mais que dez que parecem prováveis. A Teresa Torres, no Continuous Discovery Habits, de 2021, ensina a perguntar pela última vez em que a coisa aconteceu, e não pelo que costuma acontecer.
- O que fica de fora. Cortar é decisão de produto. A IA tende a sugerir mais funcionalidade, porque mais parece melhor.
- Como medir. Escreva antes de construir o que precisa mudar na recepção para você dizer que deu certo. Sem isso, qualquer app parece pronto.
PRD e spec andam juntos. O PRD diz o que e por quê. A spec diz como, e é ela que o agente de código segue tarefa por tarefa. As duas herdam as escolhas acima, boas ou ruins.
E vale o contrapeso: para testar uma ideia numa tarde, PRD nenhum. Abre o Lovable e vai. O PRD se paga quando o app vai ter gente usando, regra de negócio e dado que não pode sumir.

Antes do PRD, o terreno mapeado
No protocolo antivibe, o método que eu uso para levar uma ideia até o uso real, o PRD só aparece depois do mapa e da prioridade. Primeiro vem mapear o terreno: ver o que acontece hoje, pedindo para quem faz o trabalho mostrar como foi da última vez. Depois, priorizar o problema e o patamar: o que resolver primeiro e até onde ir.
Trabalhei assim com um cliente de faturamento médico. Antes de decidir o que construir, foram 11 dores mapeadas. Depois, uma prova de conceito de 2 a 3 dias testando ChatGPT, Claude e Gemini com meia dúzia de guias reais, com um workflow em n8n para trocar de modelo e medir por campo. Só então vieram 4 sprints semanais.
É a mesma lógica do produto mínimo viável, o MVP: o menor teste que responde a pergunta que derruba a ideia. O PRD que a IA escreve num prompt descreve telas. O que derruba o produto é o problema que ninguém comprovou antes, e é isso que o discovery dentro da primeira sprint que eu conduzo responde. Se o seu app já saiu de um PRD assim e travou, montei uma página sobre o que fazer com um app feito com IA.
Se o PRD da clínica do começo deste texto parece o seu, entre em contato e me conte qual problema da sua operação esse app deveria resolver primeiro.
Perguntas frequentes
- O que é PRD em IA?
- É o mesmo documento de requisitos do produto, agora com um leitor a mais: a ferramenta de IA que constrói o app. No Lovable, no Claude Code ou no Cursor, o PRD guardado no projeto vira a referência que o agente relê antes de cada mudança. A IA também ajuda a escrever, desde que pergunte em vez de inventar.
- O que são requisitos de produto?
- São as frases que dizem o que o produto precisa fazer e como precisa se comportar. Os funcionais descrevem regras e fluxos, como quem pode remarcar uma consulta. Os não funcionais falam de rapidez, segurança e quem vê qual dado. Cada um deveria apontar para um problema que alguém viu acontecer.
- Como fazer um PRD?
- Comece pelo problema em uma frase: quem sofre, o que tenta fazer e o que atrapalha. Depois escreva o que o produto faz, o que fica de fora desta versão e como você vai medir se deu certo. Com IA, peça que ela te entreviste até ter material para escrever, e revise cada seção contra o que você viu na operação.
- Qual é a estrutura de um PRD?
- Um PRD enxuto tem cinco partes: o problema e para quem, os requisitos funcionais, os não funcionais, o que fica de fora e a medida de sucesso. Cronograma e riscos entram quando há time envolvido. Uma ou duas páginas bastam para a primeira versão de um app.
- Qual a diferença entre PRD e spec?
- O PRD diz o que construir e por quê, na língua de quem usa. A spec diz como construir: telas, dados, regras técnicas e a ordem das tarefas que o agente de código segue. A spec costuma nascer do PRD, e as duas saem melhores quando o problema já foi comprovado.

Mais de 15 anos em produto digital. Primeiro PM da Nibo, depois PM e GPM no eBay, na Farfetch e na Kaizen Gaming (Betano). Fundou o Colaboratório, estúdio de produto que usa IA e métodos enxutos pra desafogar a operação de pequenas e médias empresas.
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