GPT personalizado no ChatGPT: o que é e como criar
O GPT que só quem criou usa sai do ar em 11 de dezembro. A instrução da casa se aproveita; escolher a tarefa, ligar o sistema e treinar o time continua sendo trabalho.

Em 30 segundos
- 1GPT personalizado é uma versão do ChatGPT montada para uma tarefa, com instruções, arquivos e recursos escolhidos por quem criou. Funciona bem para quem o montou e costuma parar ali. A OpenAI aposenta os GPTs em 11 de dezembro de 2026: a instrução vira skill dentro de um plugin, e a ligação com o sistema precisa ser refeita.
A coordenadora do atendimento abre o ChatGPT numa terça de manhã e vê o aviso: os GPTs personalizados saem do ar em 11 de dezembro. O GPT que ela montou no ano passado, com a política de troca anexada, responde reclamação do jeito da casa. Só que só ela usa. Os outros dois do time continuam pedindo no ChatGPT comum, cada um do seu jeito.
O aviso assusta, mas o problema já estava ali antes dele. O GPT funcionava para quem criou e não tinha chegado ao resto do time.
Muita gente ainda busca como criar um GPT personalizado, e o passo a passo está aqui. Neste guia eu mostro também o que muda em dezembro e o que usar no lugar. Depois, como decidir qual tarefa merece um GPT e qual pede ligar o sistema da empresa, com o que a OpenAI e a imprensa diziam até 30 de outubro de 2026.
O que é um GPT personalizado
Um GPT personalizado é uma versão do ChatGPT montada para uma tarefa. Quem cria escolhe um nome, escreve instruções fixas, sobe arquivos de conhecimento e liga ou desliga recursos, como busca na web, análise de dados e geração de imagem. Em inglês, o nome é custom GPT. Na prática, é a inteligência artificial da OpenAI com a regra da sua casa escrita uma vez, em vez de explicada a cada conversa.
Os GPTs personalizados também podem ter ações, que ligam o GPT a um sistema de fora pela API dele. É a parte mais técnica, e vai pesar daqui a pouco.
O problema que a cena da coordenadora mostra é outro. O GPT nasce na conta de quem teve a ideia, com o jeito de pedir dessa pessoa. Dá para compartilhar por link ou no espaço de trabalho da empresa, mas ninguém combinou que aquela tarefa passa a ser feita ali. O resultado é o que o guia de ChatGPT para empresas descreve: a mesma tarefa saindo de jeitos diferentes, dependendo de quem pediu.
O que acontece com os GPTs personalizados em 11 de dezembro
A OpenAI decidiu aposentar os GPTs. A central de ajuda, na versão de 23 de outubro de 2026, diz que a empresa planeja descontinuar os GPTs personalizados e recomenda migrar cada fluxo de trabalho para plugin. A página Explorar GPTs do próprio ChatGPT avisa a data. O calendário, segundo a reportagem da EdTech Innovation Hub de 1º de outubro de 2026, que resume a FAQ oficial:
- 11 de dezembro de 2026: os GPTs param de rodar em todos os planos.
- 11 de fevereiro de 2027: prazo para o Enterprise que teve o adiamento aprovado.
- 26 de outubro de 2026: fim previsto da criação de GPTs novos nos espaços Enterprise afetados.
Nas contas pessoais (Free, Go, Plus e Pro), a criação e a publicação de GPTs novos já tinham sido fechadas, segundo a mesma central de ajuda. As conversas antigas com o GPT continuam acessíveis depois da data.

O que vai para o plugin e o que fica, pelo mesmo resumo da FAQ:
- Vai: as instruções viram uma skill, os arquivos de conhecimento viram arquivos de referência e os apps conectados entram como apps.
- Fica: as ações não migram e precisam de uma conexão nova. O modelo escolhido no GPT também não vai, e o plugin migrado nasce privado.
Repare no que sobrevive: a instrução escrita e os arquivos, que guardam o trabalho de quem escolheu a tarefa e escreveu a regra da casa. O que quebra é a ligação com o sistema da empresa.
Como criar um GPT personalizado e o que usar no lugar
Se o seu espaço de trabalho Business, Enterprise ou Edu ainda mostra o botão, criar GPT segue o caminho de sempre:
- Abra Explorar GPTs na barra lateral e clique em Criar.
- Escolha como montar. No criador por conversa, você descreve o que quer e o ChatGPT faz um rascunho. Na aba Configurar, você preenche nome, descrição, instruções, conhecimento e recursos.
- Teste na prévia com pedidos de verdade, tirados da última semana do time.
- Publique só para você, para quem tem o link ou para o espaço de trabalho.
Para uma tarefa nova, eu já não começaria por aí. O GPT criado hoje tem pouco mais de um mês de vida. O formato que fica é a skill, um procedimento reutilizável com instruções, exemplos e, se precisar, código. Nos planos Business, Enterprise, Healthcare e Edu, ela mora em Plugins, na aba Habilidades, e a conta já vem com o skill-creator, que escreve a skill pela conversa. O passo a passo da primeira, com uma parte só do ChatGPT, está no guia de Claude Skills, porque o formato é o mesmo nos dois.
Se você já tem um GPT, o caminho da migração é curto, segundo o resumo da FAQ no Developers Digest de 17 de outubro de 2026: em Meus GPTs, escolha Migrar para plugin no GPT e siga as telas. Três cuidados antes de clicar:
- Publique a última versão do GPT antes de migrar. Rascunho e edição não publicada ficam para trás.
- Acerte a descrição antes. Depois da migração, ela não muda.
- Guarde uns dez pedidos reais e as respostas boas. O plugin sai privado e sem instalar, com outro modelo por trás, e esses pedidos são o seu teste.
Na conta pessoal, o que sobra são as instruções personalizadas, que valem para todas as suas conversas, e os Projetos, que juntam conversas, arquivos e instruções de um assunto e podem ser compartilhados até no plano gratuito. No Business, a central de ajuda afirma que a OpenAI não treina com o conteúdo do espaço de trabalho. Se a dúvida é qual assistente assinar, a comparação está em Claude ou ChatGPT; quem está no Google tem o equivalente nos Gems do Gemini, que também estão virando outro formato.
Qual tarefa vale um GPT e qual pede ligar o sistema da empresa
A migração separa duas coisas que o GPT misturava: o que dependia só de texto e arquivo e o que dependia do sistema da empresa. Essa separação coloca cada tarefa num de três caminhos, que não são degraus. Usar pronto compra velocidade, amarrar compra flexibilidade e construir compra confiança no resultado.

- Usar pronto. A tarefa cabe numa instrução e em arquivos: responder reclamação com a política de troca, montar a proposta no modelo da casa, revisar contrato contra a lista de cláusulas. É o lugar do GPT, e agora da skill. A pessoa pede, a IA redige, a pessoa confere.
- Amarrar. A tarefa precisa ler ou escrever num sistema, ou disparar sozinha quando algo acontece. Era o papel das ações, que não migram. Aqui entra um app conectado, uma integração de sistemas ou um agente de IA com a regra da casa. Mesmo quando o ChatGPT abre o sistema e preenche o campo no modo agente, é você quem pede, a cada vez; amarrar é quando a tarefa anda sem ninguém pedir.
- Construir. O resultado precisa sair igual toda vez, como comissão ou conferência de nota contra pedido, ou o dado precisa de histórico e dono. Aí a conversa é sobre um sistema próprio, com regra determinística onde a IA não precisa entrar.
O caso que eu uso para explicar o meio do caminho é da minha própria operação. No Colaboratório, uma rotina varre a minha agenda de hora em hora, puxa as transcrições das reuniões e cria as tarefas no Linear, cada uma com responsável. São de 15 a 30 minutos por reunião, assunto do guia de IA para reuniões.
Um GPT faria a parte do texto, se alguém colasse a transcrição e pedisse. O que fez diferença foi decidir amarrar a agenda, a transcrição e o quadro de tarefas, e dizer onde a IA pode escrever. A ferramenta é o menos importante dessa história.
Como fazer o time inteiro usar a mesma instrução
O GPT da coordenadora funcionava. O que faltou foi tirar a instrução da conta dela e pôr na rotina do time. A migração é uma boa hora para isso, e o caminho que eu sigo começa longe do botão:
- Escolha uma tarefa que se repete e que hoje sai diferente dependendo de quem faz. Comece pela última vez que ela aconteceu: de onde veio o pedido, o que a pessoa conferiu, o que mandou.
- Escreva a instrução da casa como procedimento, com as exceções e o que nunca vai numa resposta. Se a área já tem um procedimento operacional padrão, ele é o ponto de partida.
- Teste com duas pessoas além de quem criou, com os pedidos reais que você guardou.
- Compartilhe no lugar certo. No Business, a skill vai para a biblioteca do espaço de trabalho, e o administrador decide se o plugin fica Disponível, para cada um instalar, ou Instalado, chegando pronto para todos. Um plugin não enxerga além da permissão do app conectado.
- Mostre para o time como conferir. Um pedido real resolvido ao vivo, com a conferência feita na frente de todo mundo, ensina mais que o link mandado no grupo.

O que continua sendo decisão de quem toca a empresa
O formato muda em dezembro. Estas decisões continuam com você, seja qual for o nome da ferramenta:
- Qual tarefa entra. A que se repete, que mais de uma pessoa faz e que hoje sai de jeitos diferentes. Tarefa feita uma vez por mês por uma pessoa cabe nas instruções da conta dela.
- Quem é o dono da instrução. Uma pessoa mantém o procedimento e aprova a mudança. Sem dono, a instrução envelhece calada.
- Quem confere antes de sair. A IA redige a resposta ao cliente, e uma pessoa confere prazo, valor e condição antes de mandar: IA na leitura, pessoa na decisão.
- O que entra nos arquivos. Quem usa a skill ou o plugin recebe respostas baseadas neles. Dado de cliente, contrato e salário pedem um lugar com acesso decidido.
- O que precisa ser amarrado. Se o GPT tinha ação ligada a um sistema, alguém precisa decidir se a ligação volta como app, como integração ou não volta.
Se o GPT funciona para quem o criou e ninguém mais usa, o que falta é escolher a tarefa, escrever a instrução da casa e treinar o time. É isso que eu faço antes de qualquer GPT, skill ou plugin. Montei uma página sobre a minha consultoria de IA para times que já usam o ChatGPT, o Claude ou o Gemini e querem que a tarefa saia igual, não importa quem pediu.
Se na sua empresa também tem um GPT que só uma pessoa usa, entre em contato e me conte qual tarefa ele faz.
Perguntas frequentes
- O que são GPTs personalizados?
- São versões do ChatGPT montadas para uma tarefa, com nome, instruções fixas, arquivos de conhecimento e recursos escolhidos por quem criou. Em vez de explicar a tarefa toda vez, a pessoa abre o GPT e faz o pedido. A OpenAI vai aposentar esse formato em 11 de dezembro de 2026 e trocar por skills dentro de plugins.
- Como criar um GPT no ChatGPT?
- Em Explorar GPTs, clique em Criar e escolha entre descrever o GPT numa conversa ou preencher a aba Configurar: nome, instruções, conhecimento e recursos. Teste na prévia e publique. Hoje isso só vale em espaço Business, Enterprise ou Edu onde a criação segue aberta, e para tarefa nova a skill, em Plugins, já é o formato que fica.
- Como criar um GPT gratuito?
- Não dá mais. A central de ajuda da OpenAI diz que contas pessoais, incluindo Free, Go, Plus e Pro, não criam nem publicam GPTs novos. No plano gratuito, o que sobra são as instruções personalizadas da conta e os Projetos, que juntam arquivos, conversas e instruções de um assunto e podem ser compartilhados.
- Onde ficam os arquivos do GPT?
- Ficam no próprio GPT, na parte de conhecimento, e quem usa o GPT recebe respostas baseadas neles. Por isso, planilha com dado de cliente ou salário não vai num GPT aberto para a empresa inteira. Na migração para plugin, esses arquivos são copiados como arquivos de referência.
- O que vai acontecer com os GPTs personalizados?
- Eles saem do ar em 11 de dezembro de 2026, em todos os planos. Até lá continuam funcionando, e quem criou pode migrar cada um para plugin em Meus GPTs. As instruções viram uma skill e os arquivos vão junto; as ações ligadas a sistemas de fora e o modelo escolhido não vão.

Mais de 15 anos em produto digital. Primeiro PM da Nibo, depois PM e GPM no eBay, na Farfetch e na Kaizen Gaming (Betano). Fundou o Colaboratório, estúdio de produto que usa IA e métodos enxutos pra desafogar a operação de pequenas e médias empresas.
LinkedIn