Quanto custa criar um aplicativo com IA e o que muda o preço
Com a IA escrevendo boa parte do código, a primeira versão ficou mais barata. Decidir o que construir, ligar com o que a empresa já usa e manter o app depois continua custando, e é isso que separa um orçamento do outro.

Em 30 segundos
- 1O custo de criar um aplicativo é, na maior parte, o que precisa ser construído sob medida e quem vai manter o app depois do lançamento. O que dá pra usar pronto sai bem mais barato. Com a IA escrevendo boa parte do código, o que pesa no orçamento passou a ser decidir o que construir primeiro.
Quinta depois do almoço, chega o segundo orçamento para o app de pedidos dos representantes. O primeiro veio de um freelancer indicado por um amigo. O segundo veio de uma software house, com cronograma em fases, gerente de projeto e um valor várias vezes maior. Os dois prometem o mesmo app, pelo menos no título da proposta.
No mesmo dia, alguém da equipe mostra no celular uma versão que montou com IA no fim de semana. Tem tela de login, lista de clientes e um botão de pedido que funciona. Agora você tem três respostas pra mesma pergunta, e nenhuma delas diz se o número faz sentido.
Quanto custa criar um aplicativo
Quem pesquisa quanto custa criar um aplicativo, ou quanto custa fazer um app, quer uma faixa de preço e quer saber se a inteligência artificial mudou essa conta. As faixas existem, e as de 2026 estão publicadas por empresas de desenvolvimento. O problema é que elas não se encontram.
Na tabela da Shinier, atualizada em setembro de 2026, um aplicativo simples de 5 a 10 telas custa entre 20 mil e 60 mil reais com desenvolvimento nativo. No guia da Inove Dados, de junho de 2026, o app simples sob medida, com poucas telas e sem integrações, começa em cerca de 80 mil reais, e um app complexo, como marketplace ou fintech, passa de 800 mil reais.
Cada tabela parte do que a empresa chama de app simples: quantas telas, quais integrações, quanto teste e que processo vem junto. É por isso que um número solto diz pouco sobre o seu caso, e quanto custa um aplicativo depende de perguntas que nenhuma tabela responde por você.
A mesma tabela da Shinier, de 2026, também separa o preço pelo estágio do produto. A primeira versão para testar a ideia, o produto mínimo viável, fica entre 10 mil e 38 mil reais. Um app pronto para crescer vai de 75 mil a mais de 350 mil reais. Repare que a tabela já põe o vibe code, o app montado pedindo à IA, nas primeiras faixas.
Nenhuma das duas explica o que a IA mudou no preço. Essa é a parte que eu quero separar aqui, porque ela muda a forma de ler qualquer orçamento.
O que muda o preço de um aplicativo
Quando você abre uma proposta, a resposta pra quanto custa um app sai de poucas perguntas. Vale responder cada uma antes de comparar números.
- O que é construído sob medida e o que é usado pronto. Login, pagamento, envio de e-mail, agenda e mapa existem prontos e custam pouco pra ligar. A regra do seu negócio, como o desconto que depende do representante ou o pedido que precisa de aprovação, ninguém tem pronta. É ela que consome as horas.
- Com quantos sistemas o app conversa. Ligar o app ao ERP, ao estoque ou ao banco costuma pesar mais que desenhar a tela. Cada integração traz a documentação, os erros e as mudanças do sistema do outro lado. Mandar a confirmação do pedido pelo WhatsApp também é integração, e a automação de WhatsApp tem regra e custo próprios.
- Onde o app roda. Um app que abre no navegador do celular costuma custar menos que um app publicado nas duas lojas. O app nativo, feito separado para iPhone e para Android, custa mais que o híbrido, que usa a mesma base de código nos dois.
- Quem testa e com que dado. App testado por quem vai usar, com pedido de verdade, dá mais trabalho na primeira versão e evita refazer tela depois.
- Quem mantém depois. Correção, atualização e evolução entram no preço ou ficam como "a combinar". Eu detalhei essas perguntas no texto sobre contratar programador.

Pra cada função do app, eu separo três caminhos: usar pronto, amarrar ferramentas que já existem (uma automação no n8n, por exemplo) e construir. Usar pronto é o mais rápido, amarrar dá flexibilidade, e construir deixa a regra exatamente do jeito da sua empresa. Um mesmo app costuma misturar os três, e o orçamento muda conforme a proporção.
Freelancer, software house ou a versão feita com IA
O modelo de contratação também entra na conta. O freelancer costuma cobrar menos e depende de uma pessoa só. A software house traz gerente, processo e um time, e cobra por isso. Comparei esses modelos no texto sobre o que é software house. Essa diferença explica boa parte da distância entre os dois orçamentos da quinta-feira.
E a versão do fim de semana entra na conta também. Ela ainda não diz o preço, e já é a melhor especificação que você tem: mostra as telas que alguém da operação achou necessárias, na ordem em que achou. Leve essa versão pra conversa com o freelancer e com a software house e peça que cada um diga o que aproveitaria dela, o que refaria e por quê. As respostas dizem mais sobre as duas propostas do que o valor no fim do PDF.
Os custos que continuam depois que o app entra no ar
Quem pergunta quanto custa desenvolver um aplicativo costuma pensar só na construção. Só que o app que a operação usa todo dia tem conta todo mês, e ela precisa entrar no orçamento desde o começo.
A parte fixa é pequena. No Google Play, a conta de desenvolvedor tem uma taxa única de US$ 25, e o programa de desenvolvedor da Apple custa US$ 99 por ano, nos valores das páginas oficiais consultadas em 16 de outubro de 2026.
O resto depende do uso e de quem cuida:
- Hospedagem e banco de dados, que crescem com o número de pessoas usando e com o volume de dados.
- Correção e atualização, porque o sistema do celular muda, as bibliotecas mudam e as integrações mudam, mesmo sem nada quebrado.
- Evolução, que é a mudança que a operação vai pedir: um relatório novo, uma regra de desconto diferente, um tipo de pedido que não existia.
- Uso de IA dentro do app, quando ele tem um agente de IA respondendo cliente ou lendo documento. Cada uso tem custo, e ele cresce com o movimento.
Na tabela de custos recorrentes da Shinier, de 2026, manutenção e correções ficam entre 2 mil e 8 mil reais por mês, e a evolução de funcionalidades entre 5 mil e 25 mil reais por mês. Servem de régua pra você perguntar o que está incluído na proposta que tem na mão.

Quanto custa criar um app com IA no Lovable, no Bolt ou no Replit
As ferramentas que montam o app a partir do que você descreve em português mudaram o começo dessa conta. O Lovable tem plano gratuito com créditos diários, o Bolt tem plano gratuito e o plano Pro a US$ 25 por mês, e o Replit tem o plano Core a US$ 20 por mês. São os valores das páginas de preço consultadas em 16 de outubro de 2026, e eles mudam com frequência.
Esse caminho vai até produção. Dá pra ligar banco de dados e login, publicar o app num endereço próprio e colocar cliente usando, e ele continua evoluindo depois. Contei como fazer isso sem travar no meio no texto sobre criar app com IA, e comparei com as ferramentas de no code e low code.
A mensalidade é a parte pequena. O custo de verdade aparece em outros lugares:
- Os créditos do Lovable, ou os tokens do Bolt, vão embora rápido quando o pedido muda a cada conversa. Quem chega com o app descrito gasta menos do que quem descobre o app pedindo.
- A hospedagem acompanha o uso. Na página de preço do Lovable, app pequeno fica dentro da cota incluída, e app com muito acesso passa a consumir créditos à parte.
- O tempo de quem pede e decide. Alguém da empresa vai passar horas descrevendo, testando e corrigindo, e essas horas também são custo.
Quando o app passa a rodar a operação, voltam as perguntas da seção anterior: qual regra, qual integração e quem mantém. A ferramenta aguenta, desde que alguém tenha escrito o que o app precisa aguentar.
O que a IA barateou e o que continua custando
A IA barateou escrever código. Uma tela, um formulário ou uma lista com filtro saem em minutos, e o programador que usa IA entrega a primeira versão bem antes. Isso derruba o custo do teste: dá pra ver o app funcionando antes de decidir o resto.
O que continua custando é o que vem antes e depois do código. Decidir o que entra na primeira versão, escrever a regra do negócio em português, ligar o app ao que a empresa já usa e manter tudo quando a operação muda. A IA ajuda em cada uma dessas etapas, e mesmo assim cada uma pede alguém que conheça a operação e responda pela escolha.

Isso muda a forma de ler um orçamento. Quando você pergunta quanto custa para criar um aplicativo, vale perguntar também quanto do valor é escrever código e quanto é entender e decidir. Com IA no meio, a primeira parte encolheu em qualquer fornecedor. A segunda continua do tamanho da sua operação.
Quem usa IA pra programar e escreve a especificação antes entrega rápido e com menos retrabalho. O que atrasa um app com IA é pedir sem objetivo, sem regra escrita e sem saber o que conta como pronto, e isso vale pra qualquer forma de construir.
Como pedir orçamento de aplicativo com IA no ChatGPT, no Claude ou no Gemini
Antes de falar com qualquer fornecedor, dá pra usar o assistente que você já tem pra chegar com o app descrito. Os pedidos abaixo funcionam no ChatGPT, no Claude ou no Gemini.
- Escreva o app em uma página. Conte quem usa, o que a pessoa faz no app e onde o dado termina, e peça a lista de funções. Peça também as perguntas que um programador faria. As que você não sabe responder são as que viram palpite dentro do orçamento.
- Marque cada função como pronta, amarrada ou construída. Peça que a IA diga quais funções existem prontas (login, pagamento, agenda) e quais dependem de uma regra da sua empresa. A lista do que precisa ser construído é o que você quer ver orçado com cuidado.
- Leia as propostas contra a sua página. Cole a sua descrição e os orçamentos e peça, item por item, o que cada proposta deixou de fora ou incluiu a mais. A IA acha a diferença rápido. Quanto essa diferença vale continua sendo decisão sua.
Guarde essa página num documento da empresa, fora da conversa com a IA. Se a equipe toda for usar o mesmo roteiro, ele pode virar a instrução fixa de um projeto no ChatGPT ou uma skill no Claude. Na hora de saber quanto custa fazer um aplicativo, quem chega com o app descrito recebe orçamentos que dá pra comparar.
O que construir primeiro continua sendo decisão sua
Nenhuma tabela decide qual função entra na primeira versão. A IA lista funções, estima horas e compara propostas. Escolher a pergunta que o app precisa responder primeiro, aceitar o que fica de fora e definir quem responde quando ele parar continua sendo decisão de quem conhece a operação.
No app de pedidos da quinta-feira, isso quer dizer escolher o começo. Talvez seja um representante, um tipo de pedido e a aprovação do desconto, testados com pedido de verdade. Se essa versão funciona, você descobre mais sobre o preço certo do resto do app do que em qualquer tabela.
As três respostas do começo deste texto também pedem uma escolha que é sua. O freelancer pode ser o caminho certo pra um app interno usado por poucas pessoas, desde que o código e as senhas fiquem com a empresa. A software house faz sentido quando o app vai faturar, falar com cliente e precisar de time por anos. A versão montada com IA pode seguir em produção e crescer, se alguém assumir a regra do negócio e a manutenção.
Algumas decisões que ficam com você, com ou sem IA:
- O que entra primeiro, e o que espera a segunda versão.
- Qual regra é da sua empresa e precisa ser construída, e qual dá pra usar do jeito que a ferramenta pronta faz.
- Quem mantém o app e em nome de quem ficam o código, o domínio e as contas de serviço.
- Quanto risco você aceita no começo: um app interno pode nascer mais simples que um app que o cliente usa.
Por que eu começo a conversa pelo prazo
Quem me procura com orçamento na mão quer saber se o número faz sentido. Eu prefiro começar por outra conta: em quanto tempo dá pra ter alguma coisa funcionando na mão de quem vai usar. A âncora é o prazo, não o preço, porque é o prazo que mostra se a decisão sobre o que construir foi bem feita.
Um projeto do estúdio foi de zero a produção, com clientes reais, em 3 dias.
No Colaboratório, foram 6 MVPs em 4 meses, com 2 pessoas e sem anúncio.
Esses números valem como referência de ritmo, sem virar promessa de prazo pro seu app. Eles mostram que, com a IA escrevendo boa parte do código, a construção deixou de ser a parte lenta. O que define o prazo, e o preço, é o que precisa ser construído sob medida, o que dá pra usar pronto e quem mantém depois.
Separar isso antes de pedir orçamento é a primeira conversa que eu tenho com quem me procura. Escrevi uma página sobre como eu começo um projeto de software sob medida, do que construir ao que usar pronto. Se você está com dois orçamentos na mesa, como na quinta-feira do começo deste texto, entre em contato e eu ajudo a ler o que cada proposta inclui.
Perguntas frequentes
- É necessário pagar para criar um aplicativo?
- Para testar uma ideia, não precisa. Ferramentas como Lovable e Bolt têm plano gratuito e montam uma primeira versão a partir do que você descreve. O pagamento começa quando o app ganha uso de verdade: plano pago da ferramenta, hospedagem, taxa da loja e, se tiver alguém construindo ou mantendo, as horas dessa pessoa.
- É possível criar um aplicativo sozinho?
- Dá, e com IA ficou bem mais viável do que era. Dá pra descrever o app em português, testar com quem vai usar e publicar sem escrever código. Sozinho, o que costuma travar é a regra do negócio que ninguém escreveu, a integração com o sistema que a empresa já usa e a manutenção quando a operação muda.
- Quanto custa ter um app na Play Store?
- Para publicar no Google Play, a conta de desenvolvedor tem uma taxa única de 25 dólares, segundo a ajuda do próprio Google. Na App Store, o programa de desenvolvedor da Apple custa 99 dólares por ano. A taxa da loja é a parte pequena da conta: construir, hospedar e manter o app pesam bem mais.
- Como criar um app grátis com IA?
- Escolha uma ferramenta com plano gratuito, como Lovable ou Bolt, e descreva o app pela tarefa: quem usa, o que a pessoa faz e o que conta como pronto. Peça uma tela por vez e teste cada uma com alguém que vai usar. O plano gratuito tem limite de uso por dia ou por mês, então guarde os pedidos para o que você já decidiu.
- O que muda no custo de um aplicativo feito com IA?
- A primeira versão sai mais barata e mais rápido, porque a IA escreve boa parte do código. O que não barateou na mesma proporção é decidir o que construir, ligar o app aos sistemas da empresa e mantê-lo quando a operação muda. Por isso, num orçamento de app com IA, vale perguntar quanto do valor é código e quanto é decisão.

Mais de 15 anos em produto digital. Primeiro PM da Nibo, depois PM e GPM no eBay, na Farfetch e na Kaizen Gaming (Betano). Fundou o Colaboratório, estúdio de produto que usa IA e métodos enxutos pra desafogar a operação de pequenas e médias empresas.
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